A Prefeitura de Palmas impôs, na quinta-feira (22/10), o pagamento escalonado da revisão geral anual para os servidores públicos, com um índice total de 8,38%. Durante reunião com representantes sindicais, os secretários Carlos Antônio da Costa Júnior (Gabinete) e André Fagundes Cheguhem (Planejamento e Gestão) anunciaram a medida provisória com as regras do reajuste parcelado em 5 vezes.
A Medida Provisória nº 7 estabelece o repasse do reajuste em cinco etapas bimestrais. O servidor receberá 1,7% em janeiro, março, maio e em julho e a última parcela, de 1,58%, incidirá em setembro de 2027, quando a reposição atingirá os 8,38%.
Embora a gestão municipal expressou a intenção de encerrar o modelo de escalonamento em outubro de 2027, quando o poder público prometeu pagar a data-base de forma integral, o Sindicato dos Médicos (Simed) contestou imediatamente a decisão administrativa pelo parcelamento.
A medida adotada deixa o setor de saúde indignado, pois além da defasagem que a medida acarretará, a prefeitura sequer reconhece os passivos das reposições anteriores, também feitas de forma escalonada, como destacou a representante de Finanças do sindicato, Janice Painkow.
A dirigente reclamou do repasse da data-base ao longo de um ano inteiro, situação que cria retroativos, que a própria Medida Provisória tenta afastar. A médica manifestou profunda decepção, pois a categoria leva um ano inteiro para debater uma correção salarial que já nasce defasada em relação ao período anterior.
A defasagem salarial dos profissionais de nível superior da saúde municipal em comparação com outras carreiras também pautou as críticas da sindicalista. Janice exemplificou que um profissional de saúde recebe remuneração inicial de pouco mais de 4 mil reais, enquanto carreiras como a da Procuradoria começam com vencimentos de 21 mil reais. "Em certas áreas da Prefeitura, servidores de nível médio recebem o triplo do salário de um médico e isso evidencia uma distorção completa na política de recursos humanos da cidade, com evidente defasagem dos subsídios dos médicos e médicas".
"O que há é uma falta de vontade política para resolver o problema estrutural, que vem desde gestões anteriores", disse a secretária de Finanças, ao analisar a saúde municipal e criticar a terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e de toda a rede. Conforme a dirigente, o discurso oficial usa a falta de servidores como justificativa para entregar as unidades à iniciativa privada.
O sindicato rebate essa versão e afirma que o problema real reside na falta de uma política adequada de gestão de pessoas, o que constata a falta de prioridade do município com os profissionais do setor.




